Apesar do grande potencial, a energia solar é pouco explorada no país
Fotovoltaica. Esse termo é familiar para você? A palavra é o resultado do junção entre "foto" - que significa luz - e voltaica, que quer dizer "volt". A expressão é usada quando se fala em eletricidade solar, fonte de energia alternativa que ainda busca seu espaço no terras brasileiras, apesar das condições climáticas favoráveis em todo o país para a implementação de painéis fotovoltaicos. Segundo o Atlas de Irradiação Solar no Brasil, diariamente incide entre 4500 a 6300 watt-hora por metro quadrado (watt-hora é a unidade utilizada para medição de energia). Traduzindo, o Brasil é o país com maior quantidade de radiação solar no mundo.
Como base de comparação, o local menos ensolarado no território brasileiro recebe 40% mais energia que o lugar com maior radiação solar da Alemanha, que é a maior produtora de energia fotovoltaica em todo o mundo. Arthur Ribeiro, coordenador da feira de negócios EnerSolar Brasil acredita que um dos motivos que impedem a implementação do sistema no país é o alto custo e falta de incentivo. “Faltam políticas que incentivem a inovação tecnológica, que reflitam no desenvolvimento de um parque industrial nacional e no aumento da oferta de equipamentos solares”, afirma
Seguindo em frente à pequenos passos
Ainda que o Brasil esteja engatinhando quando o assunto é eletricidade solar, existem diversas organizações não-governamentais que estão apostando na fonte de energia. O projeto Quilombo Solar, coordenado pela ambientalista, ativista, educadora ambiental Vânia Stolze, é um desses exemplos. Em maio deste ano, foi implantado o primeiro sistema de energia fotovoltaica para a geração de eletricidade na comunidade tradicional do Quilombo do Grotão, no Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Niterói. A iniciativa tem como objetivo conciliar o desenvolvimento sustentável e o uso da energia fotovoltaica com a preservação das comunidades tradicionais. Além de promover uma fonte limpa, gratuita, renovável, os moradores dos local receberam orientações e descontos em sua conta de luz com o excedente da produção.
“A iniciativa aqui em Niterói surgiu a partir da experiência que realizei junto ao Greenpeace na instalação do primeiro sistema solar de microgeração distribuída na comunidade do Morro dos Macacos, Vila Isabel. A partir daí, o presidente da associação dos moradores do Quilombo do Grotão nos procurou e, desde então, iniciamos este trabalho em Niterói. Nossa busca é integrar também o maior número possível de jovens nessas ações, pois sem eles não há como estabelecer uma verdadeira melhora de qualidade de vida. Eles são os agentes transformadores”, conta Vânia Stolze.
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| Crianças da comunidade Quilombo do Grotão, em Niterói, participam do projeto Quilombo Solar |
Vale à pena ser sustentável?
Apesar do pouco incentivo governamental, tem gente investindo e trocando a fonte de energia tradicional pela fotovoltaica. São pessoas não só interessadas no benefício e na economia que a novidade traz, mas também preocupadas com o meio ambiente. O designer Fernando Ribeiro, morador da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, conta que a experiência valeu muito a pena. "O sistema é eficiente e confiável e em nada altera a minha rotina. Consegui economizar mensalmente cerca de 50% em relação ao que gastava antes com a conta de luz", explica.
Os painéis fotovoltaicos são instalados em uma área da residência, geralmente no telhado. Os módulos captam a luz solar e inversores a transformam em energia elétrica, que é incorporada à rede da concessionária local. Mesmo com todos os benefícios, usar energia solar no Brasil ainda sai caro. Os projetos começam em R$ 15 mil. De acordo com especialistas, a tendência é que com a popularização o preço caia. Tomara. Assim, o planeta agradece e o bolso dos brasileiros também.
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